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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bronzeamento Artificial



No dia 12 de novembro de 2009, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, em todo território nacional, o uso estético de equipamentos de bronzeamento artificial que usam emissão de radiação ultravioleta.

Essa decisão ocorreu depois da divulgação de um estudo, feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), mostrando uma forte ligação entre os cânceres de pele e a utilização desse método de bronzeamento. Segundo dados da Iarc (Agência Internacional para Pesquisa do Câncer), vinculada à OMS, o aumento do risco de câncer de pele devido à utilização do equipamento deixou de ser "causa provável" e se tornou "causa concreta". Especialistas internacionais concluíram que o risco dos tumores de pele serem cancerígenos é de cerca de 75% quando se utiliza a câmara de bronzeamento antes dos 30 anos.

Tipos de Melanoma

A SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) comemorou a decisão alegando que já se conhecia os efeitos nocivos das máquinas e que o bronzeamento indevido é o único fator que pode ser alterado nos dias de hoje para evitar o risco de cânceres de pele, principalmente na população fotossensível.

Embora a câmara de bronzeamento artificial tenha sido criada com o intuito estético, aos poucos descobriu-se a sua função terapêutica, portanto, seu uso continua permitido para certas doenças, como osteoporose, psoríase e vitiligo. 

O uso desse método de bronzeamento foi disseminado no século XIX, quando o padrão estético da pele deixou de ser o tom claro. Estar bronzeado tornou-se um sinal de abundância de tempo e de recursos financeiros para dedicar-se ao lazer. 


A associação do bronzeamento da pele com a saúde foi, em parte, desencadeada pelo advento, na Europa, da helioterapia, ainda na primeira década do século XX. Essa prática terapêutica prescrevia banhos de sol diários como medida preventiva, ou mesmo curativa, de determinadas doenças, tais como tuberculose e algumas afecções cutâneas.

O comportamento das pessoas em relação ao bronzeado é alimentado, em parte, por três crenças: a de que a pele bronzeada torna a pessoa mais atraente, de que o bronzeamento traz benefícios à saúde e de que o bronzeamento prévio previne os efeitos indesejáveis de futuras exposições ao sol. O uso de bronzeamento artificial é justificado pelas pessoas com diversos motivos: relaxar, adquirir uma boa aparência, obter um aspecto saudável, sentir-se valorizada pelo grupo com o qual se relaciona ou se identifica, entre outros. 

Se o bronzeamento artificial deve ou não ser proibido, não é mérito meu discutir, mas gostaria de lembrar que, para um indivíduo de pele normal, a exposição indevida ao sol e a máquinas de bronzeamento artificial contém cinco perigos importantes:

1) os efeitos agudos, como o das queimaduras solares;
2) os riscos a longo prazo da exposição descontrolada e repetida, resultando em modificações cutâneas como rugas, envelhecimento precoce da pele, nevos (pintas), etc;
3) o desenvolvimento de lesões pré-malignas (ceratoses solares) e malignas (carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanomas);
4) a conseqüência do dano fotoquímico cumulativo aos olhos desprotegidos, resultando no escurecimento das lentes e na formação de catarata nuclear;
5) a alteração da resposta imune e da função de distribuição dos componentes do sistema imunológico, causando uma alteração imunológica importante.

Como eu sempre digo, é importante usar o bom senso, pois, em excesso, até água faz mal.


Mas o que vocês acham? Vale a pena ou não?

Mariane Martins Manso

Fontes: 

- Artigos:
1)Bronzeamento e risco de melanoma cutâneo: revisão da literatura; Revista de Saúde Pública 2004;38(4):588-598
2)Riscos à Saúde da Radiação Ultravioleta; Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; vol 13 n.2; 1998.

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